Há uma lenda no Maranhão sobre a carruagem de Ana Jansen que, por maltratar seus escravos, teria sido condenada a vagar perpetuamente, nas noites de quinta para sexta-feira, pelas ruas da cidade numa carruagem assombrada conduzida por um escravo sem cabeça e puxada por cavalos também decapitados, ou puxada por uma mula-sem-cabeça em outras versões.
Os alertas são muitos e é preciso ter cuidado para não cruzar o caminho da assombrosa carruagem que corre pelas ruas, e quem tiver a infelicidade de cruzar com Ana Jansen e não orar pela salvação da alma dela, ao deitar-se para dormir, receberá das mãos de seu fantasma uma vela de cera que ao amanhecer se transformará em um descarnado osso humano.
Por isso, há relatos de que, quando as pessoas ouviam pela noite o toque dos cavalos passando pelas ruas do centro histórico de São Luís, elas ficavam com tanto medo que não tinham coragem nem de abrir a cortina da janela.
Quem foi Ana Jansen?
Ana Joaquina de Castro Jansen Albuquerque nasceu em São Luís, em 1798, em uma família de comerciantes descendentes de portugueses. Ela foi expulsa de casa pelo pai quando engravidou, pois a paternidade era desconhecida. Tornou-se uma mulher considerada desonrada, era mãe solteira e impura.
Após um período de dificuldade, Ana conheceu o coronel Isidoro Rodrigues Pereira, que na época era o homem mais rico da província, e logo se transformou em sua amante, mudando-se com o filho para uma casa cedida por ele.
Manteve a posição como amante até a morte da esposa de Isidoro, quando então eles se casaram e permaneceram juntos por 15 anos. Ana conquistou o respeito da sociedade do século 19 com seu casamento e gerou 6 filhos.
Com a morte de Isidoro, ela passou a conduzir a maior produção de algodão e cana-de-açúcar do Império, além de possuir o maior número de escravos da região, recebendo o apelido de Rainha do Maranhão. Também era uma importante liderança política da cidade.
Ana, também conhecida como Donana, enfrentava todo tipo de preconceito por ser uma mulher e desempenhar um papel de poder. Apesar da fama de ser uma grande empresária, histórias sobre sua crueldade começaram a circular entre a população local.
Embora seja consenso histórico de que Ana Jansen fosse realmente cruel com seus escravos, de acordo com o historiador Rodrigo do Norte, muitos dos relatos seriam exagerados, de modo que ela não os maltrataria mais do que a média dos escravagistas de sua época.
Ana Jansen morreu aos 71 anos, de causas naturais, e hoje é vista como símbolo de resistência feminina, além de atrair diversos turistas e curiosos para os lugares por onde passou.
Ana Jansen na Música
No samba-enredo de 1996 da Mangueira: "Os Tambores da Mangueira Na Terra da Encantaria", a agremiação cita a lenda da carruagem.
O Facing Fear, banda brasileira de Heavy Metal, lançou em 2019, pela Classic Metal Records, o álbum Ana Jansen. É a única música do disco cantada em português e retrata a lendária figura histórica maranhense Ana Jansen, latifundiária de São Luís famosa por sua crueldade com os escravizados, cuja lenda popular diz que vaga eternamente em uma carruagem de fogo pela cidade.
Histórias como a de Ana Jansen mostram como a memória popular pode transformar pessoas reais em personagens de lendas que atravessam gerações. Com o tempo, fatos, relatos e imaginação se misturam, dando origem a histórias que continuam despertando curiosidade e medo.
Foi justamente esse universo que inspirou um dos cordéis de Assombrações do Chão Brasileiro – Mulheres que viraram medo e história. Em "Ana Jansen e a Carruagem: A Maldade de Saia no Reino do Coronel", a figura histórica maranhense ganha espaço em versos, aproximando a mulher que realmente existiu da personagem que, segundo a lenda, ainda percorre as ruas de São Luís durante a noite.
Afinal, quando uma pessoa real se transforma em lenda, onde termina a história e começa a assombração?
Você já conhecia a história de Ana Jansen?
E a lenda de sua carruagem assombrada?
Compartilhe nos comentários. Vou adorar conhecer outras versões dessa história.
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