O Rio Tietê é um lugar cercado de histórias e crenças que nem sempre podiam ser explicadas e, na época das monções, muitas narrativas surgiram e assombravam os navegadores que usavam aquelas águas como estrada rumo ao centro do país. Em 1788, um proeiro contou a Lacerda e Almeida que mães-d'água habitavam os poços profundos do rio. Anos antes, Juzarte registrara o medo dos antigos diante do "grande bicho" de Pirataraca. O próprio Juzarte também relataria o encontro de sua expedição com uma misteriosa canoa surgida na neblina. Séculos depois, muitas dessas histórias acabaram se perdendo e já não povoam mais o imaginário popular de muitas das cidades por onde o rio passa. A Mãe-d'Água Em 1788, o naturalista e viajante Francisco José de Lacerda e Almeida percorreu o Tietê e registrou uma conversa com um proeiro de uma embarcação monçoeira. O homem contou que, nos poços mais profundos do rio, existiam mães-d'água encantadas, capazes de levantar grandes ondas e provo...
Kelly Pinheiro
Pensamentos, memórias, livros, histórias e tudo aquilo que não pretendo guardar para mim.